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Hoje faz um mês
O amor capaz de vencer a lógica do tempo

Relatório sentimental do Tio Briguet
Primeira visita à pequena Liz Briguet Yafushi

Nego Véio e Mané Briguet
Ele sempre me pede cincão

Confissões de um cara patético
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Total de 258 crônicas...
Paulo Briguet - Jornalista

Paulo Briguet nasceu em São Paulo, no ano em que o Brasil ganhava o tricampeonato mundial de futebol. Mas, como nunca foi bom de bola, resolveu escrever. É jornalista em Londrina (PR) e autor do livro de crônicas "Repórter das Coisas". Às vezes comete uns poemas. Carta de Londrina é uma coluna semanal onde ele fala sobre um mundo que consegue ser pequeno e vasto ao mesmo tempo: o cotidiano.

Relatório sentimental do Tio Briguet
7.12.2007

Há uns cinco anos fui almoçar no centro da cidade e vi um bebê
     no restaurante. Era uma linda menina japonesa; não tinha mais de seis meses.
     Careca, rechonchuda, cabeça redonda. A mãozinha mais delicada deste
     mundo. O rosto, minúsculo, parecia esculpido pessoalmente por Deus.

     

     Durante alguns instantes contemplei a japonesinha e senti um amor incondicional,
     absoluto, inexplicável por aquela criança. Com dificuldade reprimi
     o impulso de ir até ela e tomá-la nos braços; os pais não
     entenderiam.

     

     Eu não sabia, mas aquela situação no restaurante já
     era um prenúncio do amor que eu sentiria por minha sobrinha. Liz Briguet
     Yafushi nasceu em 10 de novembro, algumas horas depois do meu casamento com Rosângela.
     Minha irmã, Fernanda, e meu cunhado, Roger, naturalmente não puderam
     ir à cerimônia e à festa em Londrina. Ficaram em Bauru, pois
     Liz já dava mostras de querer nascer.

     

     Do dia 10 para cá, tive que refrear meus impulsos de largar tudo e vir
     para Bauru conhecer Liz. Havia antes a lua-de-mel e uma série de compromissos
     de recém-casado. No navio, durante a lua-de-mel, eu disse à Rosângela:
     “É possível a gente ter saudade de alguém que não
     conhece?” Sim, é possível. É um sentimento análogo
     à “saudade do Céu”, a que Camões se refere em
     “Sôbolos rios que vão” (poema que eu tive ocasião
     de ler no enterro do amigo e poeta Thomaz D'Amico, no dia 7, a pedido da família
     D'Amico).

     

     Ontem conheci a Liz. É a coisa mais bonita do mundo. Tem a boca da mãe
     e os olhos puxados do pai. Pessoalmente esculpidos por Deus.

     O que me surpreende nos bebês humanos é a total dependência.
     Eles não fazem nada sozinhos – além de mamar, chorar, cocô
     e xixi. Já vi o parto de uma égua, num desses documentários
     do National Geographic, e me surpreendeu a destreza do filhote, que já
     sai do ventre andando (dizem que o cavalo só se deita para morrer). Mesmo
     os filhotes de cachorro e gato, embora não tenham a mesma agilidade dos
     adultos, sabem andar e têm chances de sobreviver se forem bruscamente abandonados
     à natureza. O filhote do homem, não. A sobrevivência de um
     bebê é um fenômeno exclusivo do amor. Até uma idade
     mais ou menos avançada, ele precisa de amor 24 horas por dia para aprender
     a caminhar sobre duas pernas. E, mesmo depois de assumir a condição
     bípede, de animal que contempla o horizonte, o ser humano continuará
     mantendo essa necessidade perpétua de amor, necessidade que eu e Rosângela
     celebramos um dia antes do nascimento de Liz.

     

     E, como profissional do trocadilho, este post assumidamente sentimental termina
     com a declaração de que estou muito, muito feliz.
Comente: briguet@sercomtel.com.br
Leia também: www.tipos.com.br/briguet


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