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Nego Véio e Mané Briguet
23.10.2007
O nome? Não sei. Todo mundo diz Nego Véio. Figura da cidade. Conheço desde o tempo em que ia ao Bar do Jota – tempo em que o bar era do Jota.
É um cara simpático. Me pede cincão sempre que me vê. Nos últimos anos, acho que já perdi 500ão com ele.
O engraçado é que ele sempre vem com uma desculpa:
– Ô, meu camarada. Tô precisando de uma força pra comprar o remédio da minha mãe.
– Meu chapa, você não me ajuda a completar o dinheiro da passagem pra Jataizinho?
– Amigão, você sabe onde tem uma lotérica por aí? Tá faltando uma graninha pra inteirar a conta de luz.
Já deu para notar que o Nego Véio não sabe meu nome. Ele me lembra um personagem do Henry Miller que chamava todo mundo de Joe. Assim não tem como errar, né, Joe?
O mais incrível é que o cara tem um radar. Sempre que ele me encontra, eu estou com uma nota de cinco reais no bolso. Nunca dei dez reais, nunca dei um real. Sempre cinco.
Estava eu na Cantina do Nonoca, bebendo a minha Skol, e chega o Nego Véio. Como de costume:
- Xi, rapaz. Cê não teria aí um caraminguá pra eu comprar um quilo de feijão no Viscardi?
Desta vez, o radar de Nego Véio havia falhado. Ou não:
– Estou só com cheque, Nego Véio.
Ele foi rápido:
- Não tem importância, mermão. Você pega cincão lá com o Chico e pede pra ele somar na conta. Aí você paga com cheque.
Fiz isso. É inacreditável, mas fiz isso. Mais cincão pro Nego Véio.
Quando o Chico veio me trazer outra cerveja, me olhou com aquela cara de você-é-mesmo-um-mané.
Tinha razão. Mas fazer o quê? É o Nego Véio. Do tempo em que o Bar do Jota era do Jota.
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